O que é
O bairro Santo Afonso, em Novo Hamburgo, e seu entorno metropolitano — que se estende até São Leopoldo — são a materialização de uma crise social complexa, cujas raízes se aprofundam na desindustrialização do setor coureiro-calçadista. O colapso econômico não gerou apenas desemprego estrutural: desmantelou o tecido social de bairros operários, deixando um vácuo progressivamente ocupado pela precarização da vida e pela expansão de mercados ilícitos.
O CAIS Santo Afonso é o dispositivo territorial criado para interromper esse ciclo. Um espaço que oferece acesso a direitos, cultura, trabalho e renda — atacando não só os danos do uso de drogas, mas as causas estruturais da vulnerabilidade.
O problema que enfrentamos
A chamada "guerra às drogas" se revela como um dispositivo travado de forma seletiva e racializada. Ela não combate o narcotráfico em suas altas esferas: legitima a vigilância, a punição e o extermínio de corpos específicos — a juventude negra e periférica, a população em situação de rua, mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+.
Esse cenário é intensificado por um ecossistema de desinformação e discurso de ódio. Narrativas estigmatizantes desumanizam a pessoa que usa drogas, obstruindo a implementação de políticas baseadas em evidências e em direitos humanos, como a Redução de Danos.
Conforme as Diretrizes Internacionais sobre Direitos Humanos e Política de Drogas, endossadas pelas Nações Unidas, a dignidade humana, a não discriminação e o direito à saúde devem ser os pilares de qualquer política sobre drogas.
Nossa abordagem
O Edital de Chamamento Público nº 02/2025 convoca a sociedade civil a implementar Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social que promovam autonomia, trabalho decente, economia solidária e redução de danos sociais, superando abordagens estigmatizantes e violadoras de direitos.
O CAIS Santo Afonso responde a esse chamado com:
- Escuta qualificada no lugar do discurso de ódio;
- Acolhimento no lugar da desinformação;
- Uma metodologia de transformação social que parte da leitura crítica da realidade junto com os sujeitos — tratando-os como protagonistas de suas próprias histórias, não como objetos de intervenção;
- Articulação com a rede pública de saúde, assistência social e justiça, que hoje opera de forma fragmentada.



